terça-feira, 30 de março de 2010

Aula de campo leva estudante de agronomia da UFERSA a conhecer realidade do semiárido

Os estudantes do primeiro período do curso de agronomia da UFERSA estão tendo a oportunidade de conhecer a realidade do semiárido. É dentro da disciplina Introdução à Agronomia, ministrada pelo professor Josivan Barbosa. No último sábado, 27, as duas turmas que ingressaram na Universidade visitaram a Estação Experimental da UFERSA e a Agrícola Dinamarca, fazenda produtora de melão, no distrito de Pau Branco. Antes, passaram na Cobal para entrevistar comerciantes de hortifrutigranjeiros.

Na Estação Experimental, localizada na região de Alagoinha, conhecida também como Fazenda da UFERSA, os estudantes conheceram os vários projetos de extensão desenvolvidos pela Universidade Federal do Semi-Árido e os experimentos em agronomia desenvolvidos por professores e alunos da graduação e da pós-graduação (mestrado e doutorado). Na Estação se encontra o primeiro Centro de Pesquisa em Apicultura do país, além de infraestrutura com alojamentos, laboratório, residência, apiário.

Na Agrícola Dinamarca, os estudantes conheceram a realidade de um médio produtor de melão, as instalações e toda estrutura necessária para produção da fruta. Além das plantações, conheceram o packing house (casa de embalagem), a câmera fria e todo o processo da plantação ao transporte, passando pela colheita, armazenamento e embalagem. O produtor, que começou com 52 hectares atualmente contabiliza 280 hectares plantados com melão e oferece no período da safra, de julho a fevereiro, 168 empregos.

A Agrícola Dinamarca, de propriedade do engenheiro agrônomo Ájax Dantas, formado pela antiga ESAM, é uma das 8 fazendas produtoras de melão que integra a Coopefrut, cooperativa que exporta frutas da região do semiárido para a Europa, tendo como destino a Inglaterra, a Holanda e a Espanha. Na oportunidade, o produtor explanou para os estudantes a sua experiência na iniciativa privada, como agrônomo em grandes empresas como a Maisa, a Frunort e a Fazenda São João. “Hoje os produtores tem a UFERSA como grande parceria, através de consultorias, análises de solo e na área da fitossanidade”, revelou Ájax Dantas, o que não acontecia anteriormente com os grandes produtores pioneiros.

Para os futuros agrônomos a aula de campo é uma oportunidade de conhecer a realidade da profissão. “Achei muito bom poder observar, na prática, a realidade do mercado”, observou a estudante Ana Santana, que veio de Caicó, para estudar na UFERSA. “Achei importante, pois conheço um pouco de como acontece o plantio numa área que sempre chove - na serra - a aula de campo me levou a outra realidade que é a do semiárido”, afirmou o estudante José Washington Vidal Moraes Neto, natural de Pereiro, no Ceará.

Já para o paulista, Davi Ardashnikoff, que veio de Santos, para cursar agronomia em Mossoró, o contato direto com o produtor proporciona uma visão mais ampla sobre o curso. “Percebo agora que agronomia não é só cultivo, mas também toda uma logística que inclui pesquisas, comércio, transporte e mercado”, conclui o estudante.







Usina piloto deve operar em outubro

A usina piloto de produção de energia elétrica a partir da força das ondas do mar, que será instalada no quebra-mar do Terminal de Múltiplas Utilidades (Tmut), no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), localizado em São Gonçalo do Amarante, deverá operar a partir de outubro deste ano. A expectativa é do engenheiro Renato Rolim, coordenador de Energias e Comunicações da Secretaria da Infraestrutura do estado (Seinfra).

A compra dos principais componentes para a usina - câmara hiperbárica e o corpo do acumulador que juntos representam 80% do equipamento - já está acertada junto a uma empresa local. O investimento nestes equipamentos será de R$ 4 milhões e o contrato deverá ser assinado até o final deste mês.

Área

A área de 200 metros quadrados no quebra-mar do Tmut para abrigar a usina piloto - a primeira da América latina, também já está pronta. O "engordamento" da área, localizada na parte leste do quebra-mar receberá as pás da usina. Serão investidos no equipamento cerca de R$ 12 milhões, sendo R$ 1 milhão de contrapartida do Governo do Estado, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra), Companhia de Integração Portuária do Estado (CearáPortos) e a multinacional Tractbel, que definiram o cronograma dos trabalhos. O equipamento vai acoplar ainda um protótipo de uma usina de dessalinização de água do mar.

A usina deverá funcionar por três anos para avaliação da tecnologia que aproveita a regularidade dos ventos e frequência das ondas do mar no litoral cearense para a produção de energia elétrica.

A produção de 100 kW é o equivalente ao consumo de 60 casas do padrão médio de consumo de energia elétrica no Estado e mesmo em fase de pesquisa gerará energia suficiente para ser aproveitada.

A implantação da usina prevê, além da aplicação de R$ 1 milhão pelo Governo do Estado, mais R$ 11 milhões da Aneel, oriundos do item Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias da Tractebel.

"Contos Matutos" é o livro do escritor Haroldo Felinto, natural de Acopiara, lançado no mês passado na Bienal Internacional do Livro. Confira na reportagem da jorrnalista, Karoline Viana.

Fortaleza Um dia, o escritor peruano Mario Vargas Llosa recebeu um telefonema um tanto inusitado. Do outro lado da linha, um homem se identificava como Pantaleão Pantoja, protagonista de um dos livros que escrevera e que, não se sabe como, tomara forma e feição no que se costuma chamar de mundo real. Mas, de acordo com Haroldo Felinto, os personagens de seu livro "Contos Matutos", que será lançado no próximo dia 11, em Fortaleza, durante a Bienal Internacional do Livro, refletem o típico matuto sertanejo, com quem tanto conviveu no distrito de Trussu (município de Acopiara), onde nasceu e se criou.

São exemplos que mostram que os limites entre o real e o ficcional não são tão bem delimitados, permitindo intercâmbios: tem história inventada que é tão certa quanto aquilo que se vive, e tem situações da vida tão estranhas e complexas que mais parecem ter saído da imaginação. Neste caso, aquilo que o escritor considera a realidade sertaneja, vivida, ganha a ficção, no registro de papel que permite enganar o tempo e o esquecimento.

"Tudo sobre o sertão me interessa: falar de sua gente inculta, porém detentora de uma versatilidade e sagacidade incomuns. Este livro registra o linguajar desse povo humilde, mostrando sua astúcia, crenças e superstições. São pessoas com quem convivi e acredito que precisavam ter suas histórias resgatadas", conta o autor, que atualmente preside a Associação Cearense de Escritores (ACE).

Além de registrar causos, episódios e anedotas do que considera o "universo sertanejo", o sexto livro do escritor terá uma função social: a renda obtida com "Contos Matutos" será revertida para os escritores que não têm condições de editar suas próprias obras. "Infelizmente, não temos incentivo suficiente para poder colocar nossas obras no prelo. Considero-me um escritor regionalista, gênero que, infelizmente, está perdendo espaço, não se vê mais nas escolas", critica.

Tipos humanos

Os contos retratam diferentes tipos humanos do sertão, como o valentão, o marido traído (porém ingênuo), o vendedor de tabaco, o homem que se comunica com o sobrenatural (cujo conto, "O homem que falava com as almas"), a mulher adúltera. Os personagens, invariavelmente, conhecidos e chamados mais pelo apelido do que pelo nome de batismo: Chico Cão, Mané Besta, Zé do Tabaco, entre tantos outros. Nomes que ora remetem à atividade produtiva ou a alguma característica particular, carregada pela ironia e pela troça peculiar do homem do sertão, "que perde o amigo, mas não perde a piada".

Linguagem

A linguagem usada no livro reproduz o modo oral de contar histórias no Interior, onde o povo se junta nas rodas de conversa da calçada ou no bar da esquina. No meio de tanta conversa, procuram dar conta da vida de todo mundo, em contações mais descritivas do que tramadas. Nas histórias, não se sabe onde o homem ou mulher assunto da fofoca começa e o personagem de ficção termina.

Mas os tempos de hoje são outros, cheio de modernidades e influenciados pela urbanização do Interior. Questionado sobre o fato desse universo que descreve talvez já não seja como em seus tempos de menino do Trussu, Haroldo Felinto é taxativo: "Pode ser que alguma coisa tenha mudado, mas o espírito do sertanejo e seus costumes prevalecem, mesmo em um mundo moderno como o de hoje em dia".

Referências

O escritor, que tem livros que vão desde relatos memorialísticos até um dicionário de termos populares, tem como referências o baiano Castro Alves, na poesia, e os também regionalistas Graciliano Ramos, Milton Dias e Juarez Leitão na ficção. "Confesso que escrevo mais do que leio, é quase um vírus. No dia em que não dá para escrever, fico triste".

Em sua definição, Haroldo Felinto considera a escrita uma atividade terapêutica. "O escritor é a pessoa mais corajosa que existe, porque escreve sem medo para milhares de curiosos. Escrever é uma forma de viver mais, acredito que a gente vive bem mais escrevendo. Para mim, é uma atividade muito prazerosa, um dom divino. Não consigo entender quem diz que escrever é difícil, porque a pessoa acaba forçando a cabeça", finaliza o escritor.


Karoline Viana
Repórter

Bastante interessante o artigo do Professor Willington Germano, publicado na Revista Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 59, com o título As quarenta horas de Angicos.

As quarenta horas de Angicos*


José Willington Germano**

Angicos tornou-se uma palavra emblemática para todos aqueles que se interessam pela educação popular. A cidadezinha localizada no sertão do Rio Grande do Norte foi o palco em que, pela primeira vez, Paulo Freire, em princípios de 1963, pôs em prática o seu famoso método de alfabetização de adultos. Dessa maneira, o trabalho, que até então era desenvolvido de forma incipiente no Recife, ganhou grande visibilidade em níveis nacional e internacional.

Em dezembro de 1962, um grupo de estudantes, em sua maioria universitários, realizou o levantamento do universo vocabular da população de Angicos preparando o terreno para a experiência que viria a seguir.

Nos primeiros meses de 1963, esses estudantes, “católicos radicais”, criaram vários Círculos de Cultura e, sob o patrocínio do Governo do Rio Grande do Norte e da “Aliança para o Progresso” (programa de origem norte-americana), tornaram possível o emprego do referido método.

Fazer com que os participantes aprendessem a ler e a escrever e, ainda por cima, viessem a se politizar em 40 horas constituíam os objetivos fundamentais da experiência. Isso despertou enorme curiosidade, motivo pelo qual o trabalho de Freire e dos estudantes do Rio Grande do Norte correu o mundo. Em Angicos estiveram presentes observadores, especialistas em educação e jornalistas não somente dos principais meios de comunicação do Brasil, como do exterior. Para lá se deslocaram, por exemplo, representantes do New York Times, do Time Magazine, do Herald Tribune, do Sunday Times, do United e da Associated Press, do * Resenha do livro de Lyra, Carlos. As quarenta horas de Angicos: Uma experiência pioneira de educação. São Paulo, Cortez, 1996, 196 p. ** Professor do Departamento de Ciências Sociais – UFRN. 390 Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 59, agosto/97 Le Monde. Finalmente, o próprio presidente João Goulart, junto com Aluizio Alves, governador do Rio Grande do Norte, compareceu ao encerramento das atividades dos Círculos de Cultura, na distante data de 2 de abril de 1963.

Muito embora o período imediatamente anterior ao golpe de 1964 tenha sido muito rico em movimentos, campanhas e programas de educação e cultura popular, a exemplo do Centro Popular de Cultura da UNE e de diversas outras iniciativas que proliferaram, notadamente, no Nordeste do Brasil, a verdade é que coube a Paulo Freire o destaque principal e que ganharia fama nos mais diferentes quadrantes do mundo.

O país vivia, então, um clima de muitas mobilizações em favor das chamadas reformas de base. O campo nordestino fervilhava com as Ligas Camponesas e com os Sindicatos Rurais que lutavam pela reforma agrária. Partidos reformistas conseguiram ampliar os seus espaços no parlamento, e políticos identificados de esquerda conseguiram ser eleitos para altos cargos executivos (governador, prefeito) em diversos estados e cidades importantes do país. De igual modo, a Igreja passou a se envolver mais com as questões sociais, e, no horizonte das relações internacionais, preponderavam a “guerra fria”, a revolução socialista de Cuba e assim por diante.

Nesse contexto, a educação passou a ser alvo de grande interesse por parte dos setores reformistas, com uma particularidade: uma acentuada ênfase na dimensão política da educação. Assim, o que estava em jogo, para além da alfabetização de milhões de adultos, adolescentes e crianças, dizia respeito à necessidade de politizar e conscientizar o povo para que ele pudesse participar efetivamente da vida do país e influenciar decisivamente na transformação da sociedade brasileira. Enfim, numa linguagem muito discutida atualmente, o que estava colocado como

prioridade era o desenvolvimento de uma educação para a cidadania, para a organização da cultura, para a participação política de enormes contingentes populacionais.

É com esse espírito, pois, que a prefeitura do Recife, na época de Miguel Arraes, implementou o Movimento de Cultura Popular (MCP); em Natal, o prefeito Djalma Maranhão criou a Campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”; em João Pessoa, surgiu a Campanha de Educação Popular (Ceplar), e a CNBB instituiu o Movimento de Educação Popular (MEB). Em síntese, nesse período surgiram dezenas e de-Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 59, agosto/97 391

zenas de iniciativas no campo educacional em que a politização constituía um item importante.

Convém ainda frisar que, não obstante quase todos esses movimentos terem feito uso de metodologias próprias, eles se deixaram inequivocamente influenciar pelo trabalho de Paulo Freire. Tanto é assim que em princípios de 1964, pouco antes do golpe, ao ser instituído o Plano Nacional de Alfabetização, o método de Freire foi oficializado pelo governo brasileiro, experimentando, assim, um notório processo de fortalecimento e de reconhecimento público.

A reação das classes dominantes e dos seus aliados norte-americanos, de amplos setores das classes médias e das Forças Armadas redundou na deposição de Jango e na implantação de um regime político de cunho ditatorial cuja principal preocupação era estancar, conter, as mobilizações sociais. É claro que a repressão atingiu duramente o campo educacional, a educação popular. Entre os atingidos encontravase, evidentemente, Paulo Freire: preso, processado, exilado, considerado subversivo.

Começa aí o périplo de Freire pelo mundo, tendo percorrido mais de 50 países, lecionado nos mais importantes centros universitários internacionais, como a Universidade de Harvard, e aplicado o seu método de alfabetização em nações da Ásia, da África e da América Latina.

A sua obra acabou, portanto, por assumir dimensões universais. Assim, por exemplo, Pedagogia do oprimido foi traduzido para 17 línguas, tendo vendido cerca de meio milhão de exemplares. Ao lado disso, tornou-se doutor honoris causa por 28 universidades, e 26 centros de pesquisas em educação recebem o seu nome em países como Brasil, Itália, Chile, Bélgica e Estados Unidos. As repercussões do pensamento do educador pernambucano podem ser avaliadas na obra organizada por Moacir Gadotti, intitulada Paulo Freire: Uma bibliografia,1 na qual cerca de 150 autores de todas as partes do mundo comentam a sua obra.

Na verdade, as idéias e a prática de Paulo Freire têm sido objeto de intensa polêmica dentro e fora do espaço universitário. Muitas teses, muitos livros e muitos artigos têm se debruçado sobre o legado do referido autor. As conclusões são controversas: para uns, sua pedagogia libertadora coloca-o entre as grandes expressões do pensamento educacional do século XX. Para outros, Freire seria fruto do populismo e do nacionaldesenvolvimentismo que pontificaram na sociedade brasileira nos anos 50 e 60. Seria um utópico, um humanista cristão, um iluminista etc. 392 Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 59, agosto/97

Ora, se a obra de Paulo Freire tem sido tão estudada e debatida, qual a contribuição específica do livro de Carlos Lyra As quarenta horas de Angicos? O que ele acrescenta ao que é conhecido acerca da aludida experiência de educação? São perguntas que se colocam.

Nessa perspectiva, a importância do trabalho de Lyra não diz respeito às análises que desenvolve, mas aos fatos que ele apresenta. Trata-se de um texto escrito em março de 1963 em que o autor, na condição de coordenador da experiência de Angicos, faz um relato, escreve uma espécie de diário do que ocorreu no cotidiano dos Círculos de Cultura.

Nunca foi publicado antes, embora tenha sido exposto pelas forças golpistas de 1964 como “material subversivo”, ao lado de O capital, de Karl Marx, e Recordação da casa dos mortos, de Dostoiévsky.

Como relato e exposição factual, o livro constitui uma preciosa fonte de pesquisa do que aconteceu no dia-a-dia de Angicos. O trabalho de preparação, o universo vocabular, as palavras geradoras, o desenrolar das “aulas”, os impasses vividos pelo grupo de estudantes, a alfabetização, a politização. Nesse particular, merece atenção o fato de existirem testes, não somente de alfabetização, mas também de politização, cujas médias obtidas pelos “alunos”, nestes últimos, alcançaram índices mais elevados do que as referentes à alfabetização. O aludido livro reproduz, outrossim, modelos dos testes utilizados no transcorrer da experiência, ao mesmo tempo em que identifica os sujeitos que participaram dos Círculos de Cultura e quais os motivos que os levavam a querer aprender a ler e a escrever.

Lá estavam presentes os subalternos — domésticas, operários, trabalhadores rurais, pedreiros, serventes, artesãos, lavadeiras, motoristas, carpinteiros etc. —, que responderam majoritariamente que desejavam aprender a ler e a escrever “para melhorar de vida”. Enfim, o livro apresenta “os fatos”; a “análise e as conclusões” são “tema da próxima publicação”, escreve Carlos Lyra.

Nesse sentido, o material induz a muitas interrogações (O que seria um indivíduo politizado, por exemplo, para os coordenadores dos Círculos de Cultura?) e permite, igualmente, fazer algumas inferências, quais sejam: 1) O predomínio de uma concepção de democracia e de participação política bastante restrita, reduzida praticamente ao ato de votar; 2) Os textos utilizados e as discussões travadas no interior dos Círculos de Cultura não propunham o conflito mas o entendimento, inclusive entre patrões e empregados. O conflito só surgiria caso falhasse o en-Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 59, agosto/97 393 atendimento; 3) A consciência política seria legada ao povo, a “uma população acomodada, conformada, indiferente, fatalista”, por uma elite esclarecida.

Pela sua dimensão documental, portanto, o livro de Carlos Lyra constitui uma contribuição extremamente significativa ao conhecimento dos acontecimentos de Angicos e do lançamento de uma das pedras fundamentais da obra do mestre recentemente desaparecido.

Nota

1. São Paulo, Cortez/Instituto Paulo Freire, 1996.





sexta-feira, 19 de março de 2010

Obras em Angicos ganha ritmo para 2º Semestre

Com mais de 55% das obras concluídas, o trabalho de construção do Campus da Universidade Federal Rural do Semi-Árido de Angicos ganha ritmo para receber os estudantes no segundo semestre. A previsão do reitor da UFERSA, professor Josivan Barbosa, é de que a partir de 16 de agosto, o Campus do Sertão Central esteja preparado para atender cerca 600 alunos. O investimento, aplicado até o momento, é de R$ 17 milhões.

O Campus de Angicos ocupa uma área total de 360 hectares, incluindo uma área fechada de preservação ambiental. A área cercada por muro e guarita, semelhante ao Campus Central de Mossoró, é de 24 hectares onde estão sendo construídos os prédios que integram o complexo da universidade. “É um espaço planejado dentro de um plano diretor especifico voltada para a maior comodidade dos estudantes e professores”, frisou o reitor.

O complexo é formado por uma central com 10 salas de aula, uma central para acomodação dos professores, biblioteca, central de laboratório e um centro de convivência. Os prédios são amplos, possuindo modernas instalações, vias de acesso, esgotamento sanitário e iluminação. Para a terceira etapa do projeto são previstas ainda a construção da vila acadêmica, de um ginásio poliesportivo e de um campo de futebol.

terça-feira, 16 de março de 2010

Para ministrar curso sobre georreferenciamento, técnicos do INPE estarão em Mossoró de 22 a 26 deste mês, na UFERSA. Confira na matéria publicada nesta segunda-feira (15), no Jornal O Mossoroense.

Inpe realiza capacitação sobre tecnologias para georreferenciamento


Conforme o professor responsável pelo evento, Paulo César Moura, a iniciativa faz parte do Projeto "Construindo o nosso mapa municipal visto do espaço", desenvolvido pela Ufersa, através do Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas, com a parceria do INPE.

"Esse projeto prevê o mapeamento de municípios do semi-árido e a construção de um atlas geoambiental. Essa ferramenta vai possibilitar a delimitação da cobertura vegeta dos municípios, hidrografia e informações sobre os terrenos", informa o coordenadora do projeto, professor Paulo César Moura.

O curso terá o tema "aplicação em levantamentos terrestres" e deverá orientar os participantes sobre o uso e aplicações do Sistema GPS. Durante o treinamento os técnicos falarão sobre as limitações e utilização em levantamentos geodésicos, topográficos, cartografia, georreferenciamento de imóveis, cadastros, entre outras.

"Todo município deveria ter um plano de tudo que há na área, no entanto alguns municípios não tem. É importante saber qual é a vegetação, as áreas de proteção, onde há curso de água, quantos são, a geologia, quais as potencialidades do município, se é o turismo ou indústria", ressalta.

Ainda de acordo com o professor, o projeto é a primeira etapa que tem como proposta de trabalho compreender o mapeamento com a criação de atlas geoambiental. "Além disso, queremos introduzir e familiarizar os habitantes no uso das geotecnologias. As imagens de satélites possibilitam de forma rápida a obtenção de um mapa temático atualizado e preciso", justifica Paulo César.

O intuito da equipe, formada por seis alunos da Ufersa, um professor da Uern e o professor Paulo é também levar os conhecimentos também para os estudantes de escolas públicas. "Queremos mostrar a tecnologia espacial para esses estudantes, até porque eles também podem colaborar com o projeto. Em alguns municípios nós vamos entregar mapas de papel aos alunos para que eles completem com o nome das ruas e assim colaborem para a construção do Atlas", garante.

Em princípio, o curso é direcionado aos participantes do Projeto "Construindo o nosso mapa municipal visto do espaço". O programa engloba vários tópicos que vão desde a introdução, histórico, planejamento e a aplicação prática, com exercícios, do uso do GPS. A carga horária de 40h.

"Depois de realizarmos o trabalho, o Inpe tem o interesse de disponibilizar esse atlas para as prefeituras, no entanto, isso vai depender também do interesse de cada município. Essas informações serão importantes tanto para o setor de educação, como de planejamento", explica Paulo César.

Paulo Moura explicou ainda que o projeto contará com a participação das prefeituras que ficarão responsáveis pelo repasse das informações referentes aos nomes das ruas, bem como a localização das instituições relevantes nos municípios. A equipe do projeto será responsável pela confirmação das informações referentes à malha viária, corpos hídricos (açudes, rios, lagoas, etc.) e cobertura vegetal.

"Esse trabalho também irá reduzir os custos das prefeituras além de aumentar a precisão das informações. Depois que estiver pronto, os cadastros serão informatizados. As prefeituras vão saber, inclusive se determinada obra está sendo construída em uma área de preservação permanente, protegidas por lei federal", ressalta o professor.

Ao ser concluído trabalho resultará na geração de mapas temáticos municipais atualizados e detalhados que vão facilitar o gerenciamento e o planejamento de ações, não apenas no âmbito do município, mas como também de toda região do semiárido. Além de contribuir para uma melhor avaliação, monitoramento e preservação da cobertura do solo.

Segundo o coordenador, o Brasil já é o maior fornecedor mundial de imagens de satélites gratuitas através da internet. "O Inpe já tem toda tecnologia, só falta um corpo técnico capacitado para realizar o trabalho", finaliza.


Governadora inaugura Centro Tecnológico do Agronegócio

Em visita a Universidade Federal Rural do Semi-Árido, a governadora Wilma de Faria, inaugurou na manhã desta segunda-feira (15), o Centro Tecnológico do Agronegócio. Um espaço que estreita o relacionamento para a elaboração de projetos e pesquisas entre as universidades UFERSA e UFRN e às entidades ligadas ao agronegócio no Rio Grande do Norte.

No Centro Tecnológico do Agronegócio – CTARN – pesquisadores e produtores vão encontrar um espaço com condições físicas e logísticas apropriadas para a integração de esforços e ações que visem à solução de problemas que afetam o setor do agronegócio. O CTARN o quarto centro entregue pela governadora Wilma de Faria.

Durante a solenidade de inauguração, o reitor Josivan Barbosa, lembrou do esforço do atual governo para instalação do projeto que foi iniciado há seis anos e que hoje ao ser inaugurado se encontra em plena atividade. “Estamos nesse semestre, inclusive, recebendo cinco professores pesquisadores (Sênior), da CAPES, sendo dois pesquisadores da USP, que vão atuar no centro de apicultura”, exemplificou o reitor.

Na sede do CTARN também se encontra em funcionamento a Emparn, a Embrapa, o INCRA, o COEX e a Fundação Guimarães Duque. O projeto contempla a execução de obras novas e reformas, além da compra de equipamentos para 15 laboratórios e 06 estações experimentais pertencentes à UFERSA, à UFRN e à EMPARN, localizados nos municípios de Mossoró, Apodi, Ipanguaçu, Pedro Avelino, São Gonçalo do Amarante, Parnamirim e Natal.

O reitor Josivan Barbosa também reconheceu em público a grande parceria desenvolvida pela UFERSA com o Governo do Estado, citando além do CETARN, a construção de Poços, por meio da Caern; o Centro de Exposição de Grandes Eventos; o Centro Vocacional Tecnológico da Agricultura e o apoio integral do governo no processo de transformação da ESAM em Universidade Federal Rural do Semi-Árido.

“Incondicional, o apoio da governadora neste processo e continua firme com o nosso propósito de concretizar a expansão territorial da UFERSA para Caraúbas e Pau dos Ferros”, ratificou o reitor Josivan Barbosa, que espera para os próximos dias a liberação das vagas de docentes e agentes administrativos para os novos campi da UFERSA.

Para a governadora Wilma de Faria, o Centro Tecnológico do Agronegócio vem contribuir para o desenvolvimento do Estado ao promover o fortalecimento das cadeias produtivas, contemplando inicialmente a fruticultura tropical, a caprinocultura, a bovinocultura e a agricultura irrigada. “Estamos aliando num só espaço a pesquisa, a tecnologia e a educação que são instrumentos importantes para o desenvolvimento sustentável”, disse a governadora Wilma de Faria.

A governadora ressaltou ainda o trabalho desenvolvido pela Fundação de Pesquisa do Rio Grande do Norte - Fapern – como instrumento para a realização de muitas parcerias. “Há seis anos criamos a Fapern que tem como saldo investimentos na ordem de R$ 70 milhões, em pesquisas e a UFERSA é um desses importantes parceiros voltado para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Com o CTARN cumpro o meu dever com a Universidade Federal do Semi-Árido”, ressaltou a governadora.

Além do CTARN, o Governo do Estado entregou outros Centros Tecnológicos, como o Centro Tecnológico da Aqüicultura, o Centro Tecnológico da Apicultura, o Centro Tecnológico do Queijo e o Centro Tecnológico da Mineração, este último será implantado nas dependências do IF-RN de Currais Novos até o final de 2011.