sexta-feira, 19 de março de 2010

Obras em Angicos ganha ritmo para 2º Semestre

Com mais de 55% das obras concluídas, o trabalho de construção do Campus da Universidade Federal Rural do Semi-Árido de Angicos ganha ritmo para receber os estudantes no segundo semestre. A previsão do reitor da UFERSA, professor Josivan Barbosa, é de que a partir de 16 de agosto, o Campus do Sertão Central esteja preparado para atender cerca 600 alunos. O investimento, aplicado até o momento, é de R$ 17 milhões.

O Campus de Angicos ocupa uma área total de 360 hectares, incluindo uma área fechada de preservação ambiental. A área cercada por muro e guarita, semelhante ao Campus Central de Mossoró, é de 24 hectares onde estão sendo construídos os prédios que integram o complexo da universidade. “É um espaço planejado dentro de um plano diretor especifico voltada para a maior comodidade dos estudantes e professores”, frisou o reitor.

O complexo é formado por uma central com 10 salas de aula, uma central para acomodação dos professores, biblioteca, central de laboratório e um centro de convivência. Os prédios são amplos, possuindo modernas instalações, vias de acesso, esgotamento sanitário e iluminação. Para a terceira etapa do projeto são previstas ainda a construção da vila acadêmica, de um ginásio poliesportivo e de um campo de futebol.

terça-feira, 16 de março de 2010

Para ministrar curso sobre georreferenciamento, técnicos do INPE estarão em Mossoró de 22 a 26 deste mês, na UFERSA. Confira na matéria publicada nesta segunda-feira (15), no Jornal O Mossoroense.

Inpe realiza capacitação sobre tecnologias para georreferenciamento


Conforme o professor responsável pelo evento, Paulo César Moura, a iniciativa faz parte do Projeto "Construindo o nosso mapa municipal visto do espaço", desenvolvido pela Ufersa, através do Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas, com a parceria do INPE.

"Esse projeto prevê o mapeamento de municípios do semi-árido e a construção de um atlas geoambiental. Essa ferramenta vai possibilitar a delimitação da cobertura vegeta dos municípios, hidrografia e informações sobre os terrenos", informa o coordenadora do projeto, professor Paulo César Moura.

O curso terá o tema "aplicação em levantamentos terrestres" e deverá orientar os participantes sobre o uso e aplicações do Sistema GPS. Durante o treinamento os técnicos falarão sobre as limitações e utilização em levantamentos geodésicos, topográficos, cartografia, georreferenciamento de imóveis, cadastros, entre outras.

"Todo município deveria ter um plano de tudo que há na área, no entanto alguns municípios não tem. É importante saber qual é a vegetação, as áreas de proteção, onde há curso de água, quantos são, a geologia, quais as potencialidades do município, se é o turismo ou indústria", ressalta.

Ainda de acordo com o professor, o projeto é a primeira etapa que tem como proposta de trabalho compreender o mapeamento com a criação de atlas geoambiental. "Além disso, queremos introduzir e familiarizar os habitantes no uso das geotecnologias. As imagens de satélites possibilitam de forma rápida a obtenção de um mapa temático atualizado e preciso", justifica Paulo César.

O intuito da equipe, formada por seis alunos da Ufersa, um professor da Uern e o professor Paulo é também levar os conhecimentos também para os estudantes de escolas públicas. "Queremos mostrar a tecnologia espacial para esses estudantes, até porque eles também podem colaborar com o projeto. Em alguns municípios nós vamos entregar mapas de papel aos alunos para que eles completem com o nome das ruas e assim colaborem para a construção do Atlas", garante.

Em princípio, o curso é direcionado aos participantes do Projeto "Construindo o nosso mapa municipal visto do espaço". O programa engloba vários tópicos que vão desde a introdução, histórico, planejamento e a aplicação prática, com exercícios, do uso do GPS. A carga horária de 40h.

"Depois de realizarmos o trabalho, o Inpe tem o interesse de disponibilizar esse atlas para as prefeituras, no entanto, isso vai depender também do interesse de cada município. Essas informações serão importantes tanto para o setor de educação, como de planejamento", explica Paulo César.

Paulo Moura explicou ainda que o projeto contará com a participação das prefeituras que ficarão responsáveis pelo repasse das informações referentes aos nomes das ruas, bem como a localização das instituições relevantes nos municípios. A equipe do projeto será responsável pela confirmação das informações referentes à malha viária, corpos hídricos (açudes, rios, lagoas, etc.) e cobertura vegetal.

"Esse trabalho também irá reduzir os custos das prefeituras além de aumentar a precisão das informações. Depois que estiver pronto, os cadastros serão informatizados. As prefeituras vão saber, inclusive se determinada obra está sendo construída em uma área de preservação permanente, protegidas por lei federal", ressalta o professor.

Ao ser concluído trabalho resultará na geração de mapas temáticos municipais atualizados e detalhados que vão facilitar o gerenciamento e o planejamento de ações, não apenas no âmbito do município, mas como também de toda região do semiárido. Além de contribuir para uma melhor avaliação, monitoramento e preservação da cobertura do solo.

Segundo o coordenador, o Brasil já é o maior fornecedor mundial de imagens de satélites gratuitas através da internet. "O Inpe já tem toda tecnologia, só falta um corpo técnico capacitado para realizar o trabalho", finaliza.


Governadora inaugura Centro Tecnológico do Agronegócio

Em visita a Universidade Federal Rural do Semi-Árido, a governadora Wilma de Faria, inaugurou na manhã desta segunda-feira (15), o Centro Tecnológico do Agronegócio. Um espaço que estreita o relacionamento para a elaboração de projetos e pesquisas entre as universidades UFERSA e UFRN e às entidades ligadas ao agronegócio no Rio Grande do Norte.

No Centro Tecnológico do Agronegócio – CTARN – pesquisadores e produtores vão encontrar um espaço com condições físicas e logísticas apropriadas para a integração de esforços e ações que visem à solução de problemas que afetam o setor do agronegócio. O CTARN o quarto centro entregue pela governadora Wilma de Faria.

Durante a solenidade de inauguração, o reitor Josivan Barbosa, lembrou do esforço do atual governo para instalação do projeto que foi iniciado há seis anos e que hoje ao ser inaugurado se encontra em plena atividade. “Estamos nesse semestre, inclusive, recebendo cinco professores pesquisadores (Sênior), da CAPES, sendo dois pesquisadores da USP, que vão atuar no centro de apicultura”, exemplificou o reitor.

Na sede do CTARN também se encontra em funcionamento a Emparn, a Embrapa, o INCRA, o COEX e a Fundação Guimarães Duque. O projeto contempla a execução de obras novas e reformas, além da compra de equipamentos para 15 laboratórios e 06 estações experimentais pertencentes à UFERSA, à UFRN e à EMPARN, localizados nos municípios de Mossoró, Apodi, Ipanguaçu, Pedro Avelino, São Gonçalo do Amarante, Parnamirim e Natal.

O reitor Josivan Barbosa também reconheceu em público a grande parceria desenvolvida pela UFERSA com o Governo do Estado, citando além do CETARN, a construção de Poços, por meio da Caern; o Centro de Exposição de Grandes Eventos; o Centro Vocacional Tecnológico da Agricultura e o apoio integral do governo no processo de transformação da ESAM em Universidade Federal Rural do Semi-Árido.

“Incondicional, o apoio da governadora neste processo e continua firme com o nosso propósito de concretizar a expansão territorial da UFERSA para Caraúbas e Pau dos Ferros”, ratificou o reitor Josivan Barbosa, que espera para os próximos dias a liberação das vagas de docentes e agentes administrativos para os novos campi da UFERSA.

Para a governadora Wilma de Faria, o Centro Tecnológico do Agronegócio vem contribuir para o desenvolvimento do Estado ao promover o fortalecimento das cadeias produtivas, contemplando inicialmente a fruticultura tropical, a caprinocultura, a bovinocultura e a agricultura irrigada. “Estamos aliando num só espaço a pesquisa, a tecnologia e a educação que são instrumentos importantes para o desenvolvimento sustentável”, disse a governadora Wilma de Faria.

A governadora ressaltou ainda o trabalho desenvolvido pela Fundação de Pesquisa do Rio Grande do Norte - Fapern – como instrumento para a realização de muitas parcerias. “Há seis anos criamos a Fapern que tem como saldo investimentos na ordem de R$ 70 milhões, em pesquisas e a UFERSA é um desses importantes parceiros voltado para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Com o CTARN cumpro o meu dever com a Universidade Federal do Semi-Árido”, ressaltou a governadora.

Além do CTARN, o Governo do Estado entregou outros Centros Tecnológicos, como o Centro Tecnológico da Aqüicultura, o Centro Tecnológico da Apicultura, o Centro Tecnológico do Queijo e o Centro Tecnológico da Mineração, este último será implantado nas dependências do IF-RN de Currais Novos até o final de 2011.

quarta-feira, 10 de março de 2010

EDITAL DE SELEÇÃO PARA O PROGRAMA UMA TERRA E DUAS ÁGUAS (P1+2)

A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) é um fórum que congrega mais de 750 organizações da sociedade civil que trabalham para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural da região semiárida. Parte destas ações se materializa na execução dos Programas de Formação e Mobilização para a Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

Com o propósito de fortalecer estas ações, a Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semi-Árido (AP1MC) irá contratar um(a) profissional para compor sua equipe técnica de trabalho no Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

Apresentamos a função que será desempenhada e o perfil exigido:

I – DA FUNÇÃO:

ASSESSORIA TÉCNICA

1. Realização de assessoria técnica, monitoramento das ações e resultados dos processos desencadeados nas territórios/microrre giões onde o P1+2 está em execução, nos vários Estados da Federação onde o mesmo se desenvolve.

a) Requisitos Técnicos

 Formação superior completo em Ciências Agrárias , Humanas ou afins;

 Experiência mínima de 02 (dois) anos em trabalhos com organizações sociais de base em comunidades rurais, articulação de entidades e eventos, monitoramento de projetos;

 Conhecimento do trabalho da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) e das temáticas relacionadas ao Semiárido: Agricultura Familiar Camponesa, Convivência com o Semiárido, Agroecologia, Sustentabilidade, Desenvolvimento Local, Organização Associativa, Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional, Participação Cidadã, Reforma Agrária, Água;

 Sensibilidade para trabalhar com organizações da sociedade civil. Experiência com acompanhamento de projetos em organizações, processos de formação, capacitação e Extensão Rural em trabalhos comunitários, enfatizando- se processos de intercâmbio com grupos de agricultores( as) familiares. Capacidade de elaboração de textos, fazer registro, sistematizar informações e discussões;

 Saber se comunicar bem e trabalhar em facilitação de oficinas, realizando mediação de conflitos e desenvolvendo metodologias participativas. Capacidade de trabalhar em equipe, ter iniciativa, dinamismo e criatividade, ser organizado;

 Disponibilidade para viajar para os Estados onde o P1+2 está sendo realizado (AL, BA, CE, MG, PB, PE, PI, RN e SE) e participar de atividades desenvolvidas pela ASA, podendo, de acordo com a necessidade, trabalhar em finais de semana;

 Habilitação para dirigir carros;

 Domínio e experiência com informática (Word, Excel e ferramentas da Internet).

b) Atribuições

 Visitar, de forma planejada, as Equipes Técnicas das Unidades Gestoras Territoriais (UGTs) que atuam nos municípios do interior do Semiárido para efetuar com as equipes locais um monitoramento de suas atividades, ajudando-as nos processo de planejamento mais efetivo, contribuindo na avaliação dos processos de mobilização, capacitação, intercâmbios, controle social e construção de infraestruturas hídricas para produção de alimentos; neste processo, estar disposto(a) a aprender e construir novos conhecimentos com as UGTs;

 Analisar, técnica e pedagogicamente, materiais, conteúdos e metodologias utilizadas nos processos de mobilização e formação. Verificar a qualidade técnica das cisternas calçadão, barragens subterrâneas, tanques de pedra e bombas d’água popular, fazendo o devido debate e encaminhamentos e redirecionamentos com as equipes;

 Registrar e elaborar relatórios que sistematizem dados coletados em campo, em eventos e em relatórios gerados pelo Sistema de Informação na sede da Unidade Gestora Central).

c) Condições de Trabalho e Remuneração

 Jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas semanais;

 Contrato de experiência de até 90 (noventa) dias;

 Salário a combinar

II – DO PROCESSO DE SELEÇÃO

Contará de duas fases:

Recebimento de Currículos e Carta de Intenções

Além do envio do currículo, cada candidato(a) deve enviar uma carta de intenções. Nesta Carta de Intenções cada um(a) deve apresentar as razões que o(a) levam a concorrer neste processo de seleção a uma vaga na Equipe Técnica do P1+2. Indique na carta a sua pretensão salarial.

Os currículos e cartas de intenções deverão ser encaminhados como anexos para Marcelo José ( asa@asabrasil. org.br ).

Entrevistas

Somente os(as) candidatos(as) que tiverem o currículo pré-selecionado serão chamados(as) para a entrevista.

As entrevistas serão realizadas na sede da AP1MC, situada à Rua Nicarágua, nº 111, Bairro Espinheiro - Recife / PE.

Obs.: A ASA/AP1MC se reserva ao direito de não contratar ninguém para essa função, caso os currículos e/ou entrevistas não preencham os requisitos exigidos para essa Assessoria Técnica. A ASA/AP1MC não custeará as despesas de deslocamento (terrestre ou aéreo) dos(das) candidatos(tas) selecionados( das) para a entrevista.

III – CALENDÁRIO

1 – Recebimento de currículos - Até 26 de março de 2010

2 – Divulgação, no portal da ASA, dos currículos selecionados – www.asabrasil. org.br – Dia 01 de abril de 2010

3 – Entrevistas - Dia 08 de abril de 2010

4 – Divulgação, no portal da ASA, do resultado final - Até 12 de abril de 2010

5 – Início do trabalho - Dia 19 de abril de 2010

Recife, 08 de março de 2010

Comissão de Seleção

AP1MC – Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido

Endereço: Rua Nicarágua, 111 - Espinheiro - Recife – PE CEP. 52.020-190

Tel: (81) 2121 7666 - www.asabrasil. org.br - asa@asabrasil. org.br



Estamos transcrevendo, na íntegra, artigo do professor Polan Lacki sobre a realidade vivenciada pelos agricultores. Vale ler, refletir e comentar.

Quem está prejudicando os agricultores: os que não os subsidiam ou os que não os educam?

Polan Lacki


Uma observação empírica sobre a causa mais profunda do êxito ou do fracasso dos agricultores: O objetivo deste artigo é demonstrar que o fator mais decisivo para que um produtor rural, pequeno/médio/grande, rico/pobre, com crédito ou sem crédito, com terra própria ou arrendada, tenha êxito econômico é sua eficiência técnico-produtiva, gerencial e comercial; e esta, por sua vez, depende de que possua conhecimentos úteis que sejam aplicáveis na solução dos seus problemas. Em meus 45 anos de atuação como engenheiro agrônomo extensionista, realizada em 19 países da América Latina, sob governos de direita e de esquerda, civis e militares, democráticos e ditatoriais, "estatizadores" e privatizadores, nunca encontrei um agricultor realmente eficiente que se queixasse de falta de rentabilidade. Os múltiplos exemplos que vi com meus próprios olhos em todos esses países me ensinaram o seguinte: o êxito econômico dos agricultores inexoravelmente tem que ser sinônimo e conseqüência de sua capacidade para evitar, corrigir ou eliminar os erros e ineficiências que ocorrem nas distintas etapas do negócio agrícola.

No Brasil durante mais de cinco décadas uma grande quantidade de "deformadores" da opinião pública e pseudo-defensores dos pobres rurais, causou e continua causando um enorme dano aos agricultores. Esses maus conselheiros, em vez de dar ênfase à "imprescindibilidade" e urgência de melhorar a formação e capacitação dos produtores rurais para desenvolver suas potencialidades latentes e suas capacidades de solucionar seus próprios problemas produtivos e econômicos:

1) Continuam dizendo aos agricultores apenas aquilo que lhes agrada ouvir, como por exemplo, que eles são muito eficientes e que as causas que originam seus problemas econômicos, estão fora e muito longe de suas propriedades e comunidades. Que estas causas estão nos governos dos países ricos que subsidiam e protegem seus agricultores, que estão nos governos de seus próprios países que não os subsidiam nem os protegem, que estão no imperialismo, no neoliberalismo, na globalização dos mercados e nos tratados de livre comércio. E que, consequentemente, as soluções não podem ser adotadas por nossos agricultores e sim pelos governos dos países ricos, pela Organização Mundial do Comércio, pelo Banco Mundial e o FMI. E, domesticamente, pelo Banco Central, pelo Banco do Brasil, pelo Ministério da Fazenda e pelo Congresso Nacional. Ao dizer-lhes que seus problemas são causados por esses supostos inimigos externos, que os agricultores não têm a mínima possibilidade de eliminar, tais mensagens estão conduzindo-os ao fatalismo e à passividade, porque indiretamente estão dizendo-lhes que continuem esperando, pois:

a) se os agricultores não são os causadores, tampouco poderão/deverão ser os solucionadores de seus problemas e.

b) se as causas de seus problemas estão fora de suas propriedades e comunidades, as soluções também deverão ser buscadas fora de suas porteiras.

2) Mas estes maus conselheiros não dizem aos agricultores o que eles deveriam ouvir, como por exemplo:

Primeiro: Que, comparativamente a outros fatores, esses "bodes expiatórios" têm uma incidência mínima no êxito ou no fracasso econômico dos agricultores.

Segundo: Que a curto e médio prazo, são extremamente remotas, para não dizer nulas, as probabilidades de que esses supostos inimigos externos sejam eliminados. Entre outras, pelas seguintes razões:

- mesmo que sempre digam o contrário, nas suas atitudes os governos dos países ricos estão demonstrando que continuarão, até onde for possível, protegendo e subsidiando seus agricultores e;

- ainda que não o reconheçam publicamente, os debilitados e endividados governos dos países pobres estão demonstrando que não dispõem de força política para impedir que os países ricos continuem a fazê-lo; e, o que é pior, não dispõem dos recursos financeiros para imitá-los subsidiando seus próprios agricultores.

Enquanto os produtores rurais não forem advertidos de que estas pseudo-soluções demagógicas e “paralizantes” são absolutamente inviáveis e ineficazes:

- continuarão perdendo tempo, esforços e irrecuperáveis oportunidades de progredir, porque suas atenções estarão dirigidas aos supostos inimigos externos que eles não podem eliminar, em vez de concentrá-las na eliminação dos inimigos internos que são as ineficiências existentes em suas próprias propriedades que eles mesmos poderiam e deveriam corrigir e;

- continuarão perguntando-se "o que nossos governos podem fazer por nós?" em vez de perguntar-se "o que nós mesmos, com o apoio de uma educação ÚTIL proporcionada pelos nossos governos, podemos fazer para nos tornar muito mais eficientes; e, graças a isto, menos dependentes das ajudas paternalistas governamentais e menos vulneráveis aos subsídios e medidas protecionistas dos países ricos?".

Terceiro: Que seria muito mais frutífero e produtivo que o nosso sistema de educação rural formasse e capacitasse os agricultores para que eles aprendam a eliminar as ineficiências tecnológicas, gerenciais e organizativas que, com demasiada frequência, estão presentes nos distintos elos do agronegócio. Porque é devido a elas que seus custos unitários de produção são desnecessariamente altos e os preços de venda de seus produtos são desnecessariamente baixos. E, sejamos objetivos e realistas, é exatamente nesta diferença – entre o custo do Kg produzido e o preço obtido na venda do Kg comercializado – que está a origem da falta de rentabilidade; e é devido a esta falta de rentabilidade que eles estão tão dependentes de ajudas paternalistas de seus governos e tão vulneráveis às medidas adotadas pelos países ricos.

Quarto: Que, estes erros podem e devem ser corrigidos com conhecimentos e não premiados com subsídios. E esta correção depende muito mais da capacidade dos agricultores que das ajudas paternalistas que eles reivindicam. Quanto maior for a eficiência tecnológica, administrativa e comercial dos agricultores, maior será sua rentabilidade. Consequentemente, corrigir as ineficiências da agricultura e da pecuária deve ser o ponto de partida se queremos enfrentar os problemas econômicos dos produtores rurais com seriedade, realismo e objetividade.

É evidente que os agricultores não são os culpados pelos erros que, involuntariamente e sem perceber, estão cometendo. Na realidade eles são vítimas do nosso inadequado e descontextualizado sistema de educação rural, desde as escolas fundamentais rurais, escolas agrotécnicas e faculdades de ciências agrárias, até os serviços de extensão rural. Com pouquíssimas exceções, estas instituições não estão proporcionando, nem aos extensionistas e nem aos agricultores, os conhecimentos “teórico-práticos” e úteis que ambos necessitam possuir para corrigir as ineficiências e solucionar os problemas da agricultura. Sem sombra de dúvida, a baixa qualidade da educação agrícola é a principal causadora da pobreza e do subdesenvolvimento imperante nas zonas rurais. Portanto, o melhoramento da sua qualidade deverá ser a grande e urgente prioridade; porque, concreta e objetivamente, não existem motivos para continuar postergando-o e apresentando justificativas para não fazê-lo. As instituições de educação, e especialmente os educadores que nelas trabalham, estão convidados a corrigir as profundas debilidades e ineficiências existentes no sistema de educação rural. Este não pode continuar omitindo-se como se não estivesse causando os sofrimentos, angústias e fracassos de milhões de famílias rurais que, por falta de uma educação mais funcional, instrumental e adequada às necessidades de vida e de trabalho no campo, seguem submersas na falta de oportunidades, na desesperança e na frustração. O sistema educativo deve assumir a responsabilidade de proporcionar-lhes uma educação que lhes permita deixar de ser o grande problema para transformar-se na grande solução para os problemas da agricultura e do desenvolvimento nacional.

Como executar na prática esta proposta educativo-emancipadora?

Na seção "Artigos do autor" da página web http://www.polanlacki.com.br e http://www.polanlacki.com.br/agrobr (No Livro dos Pobres Rurais) estão disponíveis os seguintes textos:

a) Os que descrevem as medidas, muito simples e de baixo ou zero custo, que todos os agricultores poderiam adotar, por mais escassos que sejam seus recursos, por mais adversas que sejam suas condições físico-produtivas e por mais débeis que sejam os apoios de seus governos.

b) Os que propõem que e como fazer para adequar o sistema de educação ao que as famílias rurais realmente necessitam aprender para tornarem-se mais auto-dependentes e mais “auto-gestionárias”.

Até aqui estão descritas as sugestões destinadas a simplificar, “descomplicar”, "desideologizar" e despolitizar a solução dos problemas da agricultura, fazendo-o com as ferramentas da ciência, da tecnologia, da administração rural e da prática da auto-ajuda entre os produtores rurais.

E quem deverá fazê-lo: os ministros e outras altas autoridades ou os próprios educadores?

- O ministro e os secretários estaduais/municipais de educação, os reitores das universidades, os diretores das faculdades de ciências agrárias e das escolas agrotécnicas e os diretores dos serviços, públicos e privados, de assistência técnica aos agricultores.

- E, muito mais que as autoridades mencionadas no item anterior, os próprios educadores; porque existem medidas "eficientizadoras" e “melhoradoras” da educação, cuja adoção absolutamente não depende de recursos adicionais nem de decisões políticas das altas autoridades educativas.

Críticas ao artigo serão bem-vindas através dos e-mails:

- Polan.Lacki@onda.com.br

- Polan.Lacki@uol.com.br



quarta-feira, 3 de março de 2010

UFERSA discute Parque Tecnológico de Mossoró

A segunda reunião para criação do Parque Tecnológico de Mossoró aconteceu nesta segunda-feira (1/3), na Universidade Federal Rural do Semi-Árido. A reunião foi para definir o modelo de elaboração do edital para a construção do empreendimento que irá ocupar uma área de 100 hectares, dentro da Universidade do Semi-Árido. A reunião com o reitor Josivan Barbosa contou com a participação do deputado federal, Betinho Rosado, parlamentar da bancada do Rio Grande do Norte, patrocinador da emenda. Para a construção do Parque Tecnológico estão assegurados recursos na ordem de R$ 21 milhões.

Durante a reunião ficou definida a criação de uma comissão e de uma equipe técnica para o acompanhamento e elaboração do edital que deve ser concluído num prazo de 90 dias. Também ficou acertada a vinda a Mossoró do diretor do Parque Tecnológico de Santa Catarina, José Carlos Friates, para falar sobre o processo de implantação de um parque tecnológico.

A ideia inicial é para a criação de um parque voltado para as áreas do agro negócio, mineral e tecnologia da informação. “Com o Parque Tecnológico as universidades e demais instituições de ensino e pesquisa vão aumentar a capacidade de treinamento técnico, consequentemente, aumentar a produtividade da economia regional”, acredita o reitor Josivan Barbosa.

Ao concentrar várias empresas e instituições de ensino e pesquisa, numa determinada área, o parque tecnológico vai agregar conhecimento dinamizando a economia regional, com a expansão de mais oportunidades de emprego para o trabalho qualificado gerado pelas instituições de ensino. Outro benefício é o incentivo para novas oportunidades de negócios como a criação de incubadoras e também a instalação de grandes empresas âncoras.

Para o deputado federal, Betinho Rosado, a parceria com a UFERSA é de grande importância para consolidação desse projeto que irá proporcionar mais desenvolvimento para a região do semiárido. “O Parque Tecnológico de Mossoró é de grande benefício uma vez que vai reunir nas dependências da UFERSA, além do ensino e da pesquisa, empresas de pequeno, médio e grande porte absorvendo a mão de obra que é preparada na universidade”, considerou o parlamentar.

Além do reitor da UFERSA, também participaram da reunião o vice-reitor da UERN, Aécio Cândido; o gerente do Sebrae/Mossoró, João Vidal; a representante da Câmara Municipal de Mossoró, vereadora Nina Rebouças; o representante da Prefeitura de Mossoró, Nilson Brasil, além de técnicos do IFRN e UFERSA.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Encerramento das comemorações do centenário a Patativa do Assaré conta com produção cinematográfica. Confira na reportagem de Antônio Vicelmo, publicada no Diário do Nordeste.

Poemas de Patativa inspiram produção cinematográfica

Crato A programação de encerramento do ano do Centenário de Patativa do Assaré inclui shows, produções artísticas, apresentações folclóricas e a exibição de documentários, entre "O Casamento de Corisco e Dadá em Noite de São João", "Na Rua do Campo", "Mestres dos Saberes e Fazeres da Cultural Popular Assareense", "Patativa Vaca Estrela Boi Fubá" e "A Triste Partida".

Patativa nasceu no dia 5 de março de 1909, na serra de Santana, município de Assaré. Os 100 anos de nascimento do poeta foram comemorados em todo o Brasil, inclusive com uma sessão solene no Senado em sua homenagem. O agricultor pobre, que se tornou famoso com sua poesia matuta, contribuiu para o despertar de uma consciência artística em Assaré. Ancorado na poesia brejeira de Patativa, voltada para a cultura popular, um grupo de jovens da cidade pretende encerrar as comemorações do centenário mostrando que Patativa deixou seguidores em todos os setores da cultura brasileira.

Filmagens

Uma das vertentes deste saber popular é a produção de filmes. Esta semana, a equipe de produção esteve no Crato, concluindo as últimas cenas do filme "O Casamento de Corisco e Dadá em Noite de São João". De acordo com o enredo, Corisco em suas caminhadas pelo sertão cearense encontra uma moça bonita, bordando um pano de cozinha e começa a cortejá-la. Após o encontro, os dois se entrelaçam no meio da Caatinga em uma bela noite de amor. Ao amanhecer, o cangaceiro promete voltar para casar com a moça, mas na sua volta, várias barreiras aparecem, impedindo este amor.

Um amor nascido da pureza de uma menina e do instinto feroz e violento de um cangaceiro. Ela, filha de uma família nobre, poderosa, não aceita a concretização desse amor. Ele, afilhado de um dos homens mais temidos do sertão, usa de sua patente para providenciar a união dos dois amores. "Amor não escolhe status, escolhe corações puros que se amam".

"O Casamento de Corisco e Dadá, em noite de São João", segundo o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, é um curta-metragem de ficção, que traz elementos diferenciados da cultura popular nordestina. Todas as falas do personagens foram elaborados em forma de poesia, com a colaboração do poeta Geraldo Gonçalves, sobrinho de Patativa. Salmo ressalta que o casamento tem sua base sedimentada nas características do cangaço, não identificando os cangaceiros como heróis ou vilões do sertão, mas enfatizando a contribuição cultural do Cangaço para a cultura nordestina e cearense. A produção lembra que o casamento acontece na década de 30, no período da colheita, começando da noite de São João e terminando com a cerimônia do casamento na noite de Santo festivo, onde aparecem todas as místicas e superstições envoltas na cerimônia de matrimônio nessa época.

OPORTUNIDADE

Elenco é formado por atores da região

O filme tem cenas gravadas na cidade de Assaré e nas comunidades de Inhumas e Estiva, ambas no município de Santana do Cariri e na Ponta da Serra, Distrito de Crato. No elenco, apenas atores locais, e será reproduzido em mídia digital. A sua distribuição será gratuita, para escolas e associações comunitárias com fins culturais. Vinte por cento é destinado à Secretaria de Cultura do Ceará, apoiadora do projeto.

A distribuição do produto final do projeto, de acordo com o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, será feita de forma orientada para que os professores trabalhem o curta, focados nas discussões da contribuição cultural do Cangaço, na importância da preservação do patrimônio imaterial e nas tradições juninas.

Ficha técnica

O filme é inspirado na pesquisa de Eugênio Oliveira, texto de Marcos Salmo e Geraldo Gonçalves, roteiro e direção: Marcos Salmo. O elenco conta com os atores e atrizes: Felipe Lira, Vanessa Silva, Pedro César, Thanani Braga, Zé Airton, Paulo Henrique, Welligton Gonçalves, Eugenio Oliveira, Karina Duran, dentre tantos atores. O diretor, Cícero Garcia, ressalta que toda essa equipe é do município de Assaré. O filme tem na produção audiovisual a equipe da "Malungo Produções Audiovisuais", equipe de jovens formados no Projeto Verde Vida e que hoje utilizam os conhecimentos adquiridos na produção audiovisual do Cariri. Toda essa produção é uma realização da Fundação Balceiro de Cultura Popular, que tem a frente da instituição as senhoras Cidinha Oliveira e Thanani Maria, instituição que há mais de dez anos vem promovendo a cultura no Estado do Ceará, uma de suas ações mais conhecidas é o grupo junino Arraiá do Patativa.

Fique por dentro

Poema

Em um dos seus mais conhecidos poemas, "A Festa da Maricota", Patativa do Assaré descreve a chegado de um cangaceiro à festa com o seguinte verso: "O cabra vinha coberto/ da tenda da perdição/ eu reparei e tô certo/ que ele trazia na mão/ o mais pió dos flagelo/ um rife papo amarelo/ e sem compaixão nem dó/ um feio punhá dum lado/ e um grande lenço encarnado/ amarrado no gogó".



MAIS INFORMAÇÕES

Prefeitura Municipal de Assaré

Rua Dr. Paiva, 415 – centro

(88) 3535.1613

regional@diariodonordeste.com.br

Antônio Vicelmo/ Repórter